
Ofensa gratuita: Ronaldo, sócio de Marcos Buaiz, marido de Wanessa Camargo, teria rompido com o 'CQC' e ligado para a cúpula da Band
O gaúcho de 34 anos faz sucesso em várias frentes. Está entre as estrelas do “CQC”, da Band, atração que registra picos de audiência de 8 pontos no Ibope e chega a ficar em segundo lugar em seu horário nas noites de segunda. No teatro, os shows do rapaz lotam o Comedians, na Rua Augusta, casa da qual é um dos sócios. Na internet, seu Twitter tem cerca de 3 milhões de seguidores e ele chegou a ser apontado pelo jornal americano “The New York Times” como o mais influente do mundo, à frente de nomes como Lady Gaga e Barack Obama. Na publicidade, foi visto em mais de 730 comerciais somente neste ano.+ Veja algumas das gafes de Rafinha Bastos em vídeo
Como efeito colateral de toda essa popularidade, Rafinha parece que vestiu a carapuça de gênio acima do bem e do mal, achando que tem o direito de fazer e falar qualquer coisa. No último dia 19, superou-se na capacidade de dizer coisas grotescas. Instado a comentar uma cena que exibia a cantora Wanessa Camargo, grávida de cinco meses de seu primeiro filho, engrossou a antologia de barbaridades levadas ao ar com esta inacreditável frase: “C... ela e o bebê”. O comentário não estava no roteiro. Ou seja, o comediante improvisou na hora o “caco”.
No dia seguinte, o site da “Folha de S.Paulo” criticou a postura do humorista. Desdenhando, ele respondeu em seu Twitter, com a mesma impecável elegância: “Olá Folha de SP, vai tomar no olho do teu...”. Na Band, ninguém achou graça da história. “A emissora não gostou da piada e ainda está avaliando um possível afastamento dele do programa”, afirma o diretor artístico e de programação, Hélio Vargas, que ligou pessoalmente para o empresário Marcos Buaiz, marido de Wanessa, para se desculpar.
Agliberto Lima

A delegada Rosmary: representação no Ministério Público
Não foi a primeira derrapada feia do humorista. Em maio, outra declaração sua provocou um tremendo mal-estar: “Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra c... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus”. Nesse caso, a reprimenda foi mais grave, e o Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo entrou com uma representação no Ministério Público Estadual.
“Uma pessoa que diz algo tão desprezível não deve ter noção de quanto sofre uma mulher que passa por um tipo de violência como essa”, afirma a presidente da entidade e chefe da Delegacia de Defesa da Mulher, Rosmary Côrrea. Em julho, o próprio MP, por meio do Núcleo de Combate à Violência Doméstica e Familiar da Capital, requisitou ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital a abertura de um inquérito policial para apurar uma suposta prática de incitação e de apologia do crime. “O estupro é um crime e o estuprador deve ser punido, e não publicamente incentivado”, declarou, à época, a promotora Valéria Diez Scarance Fernandes.
Divulgação

Lottenberg, da Confederação Israelita do Brasil: pedido formal de desculpas
Pouco antes disso, o esquete “Casa dos Autistas”, veiculado em março no “Comédia MTV”, de Marcelo Adnet, mostrou atores atuando, de forma equivocada, como deficientes mentais confinados em uma residência, em uma lamentável tentativa de parodiar o reality show “Casa dos Artistas”, do SBT. A repercussão negativa obrigou a emissora a divulgar uma nota oficial para se desculpar e afirmar que o programa “ultrapassou limites aceitáveis do humor”.
Em maio, durante um quadro do “Legendários”, da Record, o apresentador Marcos Mion disse que a transexual Nany People tem “uma surpresinha” e perguntou: “Como ela faz para tomar banho? Como ela vai à piscina? O que ela faz com o pacote?”. Uma ONG ligada ao movimento gay não gostou e abriu um processo por homofobia. Apesar da escorregada, Mion afirma que está se policiando mais. “Eu já fiz humor do mal, era moleque e queria mudar o mundo. Mas hoje eu não conseguiria soltar uma piada sobre alguém que está sofrendo com um câncer ou com uma tragédia pessoal”, diz.
Quase hors-concours na briga dentro da lama, o “Pânico na TV”, da RedeTV!, já recebeu 353 denúncias nos últimos quatro rankings da baixaria organizados pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados — 113 só no início deste ano. As queixas se referem à exposição de pessoas ao ridículo, humor grotesco, excesso de nudez e palavras de baixo calão. Entre os quadros denunciados estão o Momento Amy Winehouse, em que um dos atores se veste como a cantora e sai pelas ruas agredindo as pessoas, e Em Busca da Musa da Beleza Interior, da dupla Vesgo e Silvio, em que eles abordam mulheres anônimas e as expõem de forma degradante.
Divulgação Rede Globo

Marcelo Madureira, do programa global "Casseta & Planeta": "O Rafinha Bastos tem um tipo de gracejo adolescente. É bobo."
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Entre os humoristas daqui, impera o velho discurso da liberdade de expressão. E o raciocínio de que a própria graça da piada (ou ausência dela) dá a medida do que deve ser dito ou não. “Acho absurdo usarem o argumento da liberdade de expressão como justificativa para esse tipo de piada. Não foi para isso que pessoas morreram pela democracia”, diz o escritor, dramaturgo e jornalista Marcelo Rubens Paiva. “Grosseria não é um elemento de humor, é uma questão equivocada de ignorância histórica, de não saber os limites do que é engraçado.”
O humorista Marcelo Madureira, do “Casseta & Planeta”, reforça: “Quando você ofende alguém, é porque não houve graça, falhou. O que acho curioso no Rafinha Bastos é que ele tem um tipo de gracejo adolescente. É bobo”. Decano da televisão brasileira e ex-vice-presidente de operações da Rede Globo, o empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, vê decadência na atual comédia brasileira. “O humor nacional está no fundo do poço, falta finesse”, lamenta ele. “Quando uma piada é feita com apelação e ofende a audiência, é porque ela é ruim. E isso é o mesmo que chamar o público de burro.”
Marcos Rosa

Boni, ex-vice-presidente de operações da Rede Globo: "O humor nacional está no fundo do poço, falta finesse."
Reinaldo Canato

Marcelo Rubens Paiva, escritor, dramaturgo e jornalista: "Acho absurdo usarem o argumento da liberdade de expressão como justificativa para esse tipo de piada."

